terça-feira, 6 de julho de 2010

Larissa

Sorriso doce em um coração indomável,
Nem sempre um semblante de paz simboliza a fragilidade,
Há guerreiros que lutam em silencio, suas batalhas não são vistas,
Suas vitórias não são comemoradas,
Suas derrotas não são lamentadas.
Seguem solitários, não por falta de ombros, mas por opção.
Eu encontrei alguém assim,
Uma mulher de fibra com ares de frágil donzela,
Quem sente seu rosto macio, aveludado
E perfeito como uma porcelana rara,
Não imaginam as cicatrizes em sua alma, marcas profundas,
Algumas ainda sangram, mas ela... Ela não chora!
Não na nossa frente,
Não é orgulho, só não quer incomodar os outros com sua dor,
Queria eu pobre poeta, poder cuidar de tais feridas,
Mas se aproximar da alma de um guerreiro é tarefa difícil,
Só se eles te permitirem adentrar os portais de seus medos,
E aí, se tornariam frágeis pra você,
Coisa que um guerreiro não quer transparecer,
Então permanecem cobertos por armaduras impenetráveis.
Mas poetas são loucos, vêem alem dos outros e
Acham que podem mudar o mundo,
Foi quando vi sua ferida mesmo embaixo da armadura
E quando me aproximei na ânsia de cuidar de sua ferida,
Esqueci que estava desprotegido
Seus olhos como uma lança penetraram meu coração,
Mas eu estava tão vidrado que nem senti,
De sorte que pude tocá-la antes que meu corpo desfalece-se,
Pude sentir seu perfume que garanto
Conquistaria o mais cruel dos bárbaros,
E contemplá-la como poucos puderam,
Afinal sempre se aproximaram dela armados
E com seus escudos em punho o que dificultava sua visão,
Mas eu a vi de fato e posso dizer foi maravilhoso o que vi,
Valeu à pena a lança que carreguei em meu peito,
Digo carreguei por que logo após desfalecer em seus braços,
Ela percebeu que se trava de um poeta e não de um guerreiro,
Sua atitude fora um reflexo causado por seus instintos,
Agora para meu o bem era necessário que ela tirasse a lança,
E então ela a puxou rapidamente, que dor que eu senti!
Mas logo ela enfaixou meu peito, ainda nem sei se vivi ou se morri,
Só sei que a vi!
Aquilo que um poeta mais deseja ver, uma musa.
Não sabia que eram tão fortes quanto belas,
Nem acredito que pude tê-la em meus braços,
Mesmo que por um instante.
E essa experiência ficara marcada em meu peito... Pra sempre!
Larissa... Esse é o seu nome!